Já aconteceu na sua empresa? Um sócio quer levar o negócio para fora, enquanto outros nem cogitam sair do Brasil? Como decidir quem vai e quem fica? Essa situação aparentemente simples pode sacudir toda a governança corporativa - e trazer dilemas que vão muito além do passo internacional.
A (re)estruturação da Governança torna-se um processo crítico em uma expansão internacional. Não é apenas uma questão geográfica: trata-se de decidir quem vai liderar operações fora, quem fica para dar suporte daqui, como será feita a gestão remota, quem contrata onde e sob quais modelos.
Esse tipo de decisão pode gerar rupturas na governança se não for precedido por diálogo claro, definição de alçadas e limitação de responsabilidades - e isso vale para empresas familiares, startups ou sociedades tradicionais.
Quando o CEO - ou o principal acionista - não confia em quem fica ou em quem está fora, o comando tende a se centralizar. Quem cria um negócio, fica conectado emocionalmente à ele e tem dificuldade de acreditar que alguém possa entender, gerir e cuidar tão bem quanto ele é capaz de fazer. E isso pode ser o início do fim…
O reflexo dessa centralização é claro: excesso de controle, lentidão em delegar, acúmulo de decisões na liderança única.
Mas, estrategicamente, a internacionalização exige o oposto: dedicação da equipe estrangeira, processos claros e autonomia alinhada. O CEO, então, precisa transformar seu papel de controlador central a mentor estratégico, confiando na execução local sem perder a visão global.
Para os fundadores, o desafio maior é compreender que governança não significa perder autonomia, mas sim ganhar clareza.
Internacionalizar pode parecer apenas um movimento geográfico. Na verdade, é um teste profundo de governança. Exige maturidade organizacional e relacional. Mais do que fazer "dar certo lá fora", exige fazer "dar certo em estrutura e cultura".
Se a sua empresa está prestes a atravessar essa ponte, vale a pena pensar na estrutura por trás dela - desde divisão de responsabilidades até quem faz parte da mesa decisória. Governança não é sobre imposição; é sobre fazer escolhas estratégicas que sustentam o futuro.
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