Ainda no século XVI, Maquiavel formulou um dilema que segue atual: para governar, é melhor ser temido ou ser amado? Em O Príncipe, ele reconhece o valor do afeto, mas alerta para sua fragilidade diante de crises. O temor, por outro lado, garantiria ordem e estabilidade. Não se trata de uma escolha simples, mas de uma tensão permanente do exercício da liderança.
No mundo corporativo, esse dilema aparece de forma menos explícita, porém constante. Líderes convivem com a dúvida entre ser respeitosos ou diretos, acolhedores ou firmes. Como cobrar resultados sem parecer duro demais? Como sustentar autoridade sem abrir mão da humanidade? Em muitas situações, o medo de perder o afeto da equipe leva à hesitação em cobrar, corrigir ou confrontar.
É nesse ponto que a liderança começa a se fragilizar: não por excesso de exigência, mas por falta de clareza.
Ser agradável não é dever do líder. Sustentar expectativas, sim. Cobranças são necessárias, mas, sozinhas, não mantêm pessoas engajadas. Da mesma forma, empatia sem direção não constrói times fortes. Liderar exige caminhar nesse espaço desconfortável entre o cuidado e a firmeza, entre o respeito e a franqueza. É nesse “meio do caminho” que se governa.
Encontrar esse equilíbrio não é simples. Exige sair da zona de conforto, errar, revisar decisões e, muitas vezes, suportar o risco de desagradar. Mas também exige maturidade para entender que apontar falhas não é um ato de hostilidade, é parte do compromisso com a qualidade, com o crescimento e com o coletivo.
Na Global Pass, acreditamos que internacionalizar uma empresa passa, fundamentalmente, pela forma como ela é liderada. Por isso, o apoio à governança é um pilar do nosso Plano de Internacionalização. Expandir para outros mercados não envolve apenas estratégia e estrutura, mas também líderes capazes de sustentar decisões, diálogos difíceis e responsabilidades ampliadas.
Afinal, não são apenas empresas que se internacionalizam. São as pessoas que as conduzem.